Como eu posso imaginar que nunca a encontrarei
Pensar que simplesmente você nunca existirá
Como posso...
Se a cada momento é nisso que penso
Penso no dia em que a verei, o que irei falar
Como irei te olhar pela primeira vez
Eu tento te enxergar em cada face estranha que vejo
Em cada olhar pedindo atenção
Tento te ver nos olhos negros que não consigo decifrar
Naquele rosto que não demonstra expressões
Naquela voz que não carrega emoções
Nas palavras tão secas que ouço de alguém que não quer falar
Eu ainda assim tento te ver
Nos gestos lentos e sem sentido
Naquele olhar vago que se perde no horizonte
Que não enxerga nada, porque nada quer ver
Contudo tento te reconhecer
Nos detalhes que não canso de procurar
Nos disfarces que você pode apresentar
Penso naquilo que eu sempre quis encontrar
O doce da tua boca, o brilho do teu olhar
Eu me perco entre sonhos, ilusões, decepções
Conheci pedaços de você em muitas pessoas
Mas não sei se algum dia te terei por inteira
Talvez o perfeito não exista
Ou então nunca o encontrarei
Texto escrito em Agosto de 2010
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