Somos seres noturnos, colocamos no papel fragmentos das nossas almas que se desprendem a todo tempo a qualquer sorte de acordo com o embalar das emoções. A Boemia traz a idéia de não convencional de vícios e de música. Por isso eu vivo Boemia e meu vício é escrever e descrever momentos.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Contos de fim de tarde - II
Porém neste fim de tarde ela quer respirar, e tirar do peito a pressão que parece pesar nos pulmões precedendo o pranto.
A tarde foi de clima agradável, mas uma insistente neblina continua a cair e pintar o céu de cinza.
Manoella aguarda o fim do expediente de trabalho, vai até o vestiário calça um par de tênis confortável e sai a caminhar pelas ruas da cidade.
Cada passo dado para frente parece apontar-lhe uma pendência, e outra, mais uma e poucas alternativas de solução.
A neblina persiste, e ela tenta concentrar-se nas gotas de água que formam-se no seu rosto e chega a conclusão de que poderia chorar o quanto quisesse que ninguém perceberia, aliás já deveriam achar estranho o foto de uma pessoa andar sem se proteger da chuva num dia como aquele.
À medida que as lágrimas corriam e deixavam no seu rosto seus traços salgados, a neblina branda afagava removendo aquele sabor de tristeza.
Mas porque ela chorava, as lágrimas eram o respirar de uma mulher que sempre tentou fazer as escolhas certas, que amava o marido que protegia o filho e não conseguiu lutar contra uma avassaladora paixão, paixão esta que por vezes era tão afável como aquela neblina por outras tão sufocante como o calor e o sabor daquelas lágrimas.
Lembrou-se de um verso de Shakespeare:
"Consiste a monstruosidade do amor...
Em ser infinita a vontade,
e limitados os desejos,
e ato escravo do limite..."
Observou o relógio no pulso esquerdo e viu que já andava a quase uma hora sem direção e precisava retornar, a neblina fina mesmo não sendo chuva encharcara suas roupas ela tremia pois o frio havia tomado seu corpo e a noite surgiu sem pedir licença.
Hora de retornar e desfrutar do chuveiro quente, do abraço amigo e do aconchego do seu lar,fazer com que esse fim de tarde parecesse singular sem as marcas do frio que iludibriaram sua mente e fizera respirar seu coração.
É preciso voltar.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Contos de fim de tarde
Tudo o que ela queria era levar uma vida normal como as garotas de sua idade, mas a esta altura isso era impossível dera alguns passos decisivos durante sua vida, sem saber que à frente não havia uma rota de conversão.
Durante uma de suas aventuras conheceu alguém que a envolveu de um modo especial, um homem com mais de trinta anos inteligente e extremamente atraente, e por ter o poder de despertar nela sentimentos tão primitivos que sempre que o via depois caia em uma profunda introspecção.
A rotina pessoal e de profissional era pesada, peso este que por muitas vezes ela pensou em deixar no caminho, mas fazia parte de suas escolhas.
Final de tarde, já sem unhas praticamente nos dedos,ela pega o aparelho de celular e envia um Sms: - Preciso te ver, estou morrendo de saudades.
Minutos depois ela recebe a resposta: - Também tenho saudades...
Ela envia nova mensagem: - Então prove! E reserve o final desta tarde pra mim.
Recebe a respota: - Está reservada.
Ela trata mais alguns assuntos burocráticos, pensando mais na langeri que vestia, do que no que assinava, agora faltavam apenas alguns minutos.
O carro de vidros escuros a aguardava no estacionamento em frente à empresa,ela entra fecha a porta o olha nos olhos por alguns segundos até que ele dê partida e pergunta: - Para onde vamos?
ela rsponde:- Para onde você quiser me levar.
Mais alguns minutos em silêncio e o carro entra em lugar que parece um estacionamento antigo, alguns carros abandonados e um cenário deserto, é possível ouvir carros não muito distante dali mas naquele momento são apenas os dois o silêncio e a escuridão.
Ela então vira-se para ele, acaricia levemente seu rosto, passa a mão por seus lábios e começa a beijar-lhe, de imediato a química absoluta que existe entre eles se estabelece e a sequencia é quase que programada, ela tira a roupa a medida que ele tira a dele, e o beijo que os mantém unidos é quase que uma súplica.
Mãos em movimentos sincronizados, peles envolvidas por um calor absurdo e agora os lábios dela percorrem minunciosamente cada parte do corpo do amante.
Até o momento que ele pergunta: - Porque você faz isso comigo?
Ela responde: - Porque você é minha rota de fuga para a liberdade.Deixe-me apenas te amar, como se fosse a primeira e a última vez.
E sem que ninguém diga, ela sabe que aquilo que a atrai de encontro a ele é ver sua face refletida naquele olhar sem direção.
Histórias Compartilhadas.
Obrigado pela inspiração!!
domingo, 1 de agosto de 2010
Praia, quatro amigas e um quarto de hotel
Sábado, Novembro de 2005, quatro amigas em um automóvel partem rumo ao litoral.
Levaram na bagagem a expectativas de um final de semana sem compromissos aborrecimentos ou regras.
Assim que chegaram ao destino, praia de Torres um hotel a algumas quadras do mar, trocaram de roupas e foram para a beira-mar.
Em um quiosque assistiram a partida, que depois ficou conhecida como batalha dos aflitos,regada a muita caipira...
Final de partida hora de voltar para o hotel, colocar roupas pretensiosas para noite e voltar, à final é a noite que todas as expectativas sairiam da bagagem.
Infelizmente, por influência da caipira, a motorista do grupo foi tragada para um sono profundo e por conta disto as outras três aproveitaram para fazer um exercício, foi uma adesão espontânea e na verdade necessária.
Cristiane Gremista, 22 anos havia acabado um noivado de vários anos e estava a mais de um ano sem fazer sexo, Aline 22 anos também, loira e aventureira por fim Marina que estava apenas acompanhando a causa urgente das amigas.
No calçadão de Torres, mais de duas horas da manhã e a caminhada de mais de quinze minutos do hotel ao centro não dera muito resultado.
Voltando então passaram por três amigos que amigavelmente se aproximaram e começaram a conversar, para o desespero de Cristiane o que vestia camisa do Grêmio, moreno magro alto e atraente (segundo ela), ficou para trás era hora de tomar uma atitude:
Cristiane -Ei, o Gremista ali não vem junto?
Mais do que depressa ele aproximou-se, apresentou-se e naquele momento era como se tocassem trombetas ao fundo Cristiane ouvia sinos, era o cara certo na noite certa para sair da "Secura".
Chegaram na recepção do hotel, os dois outros casais que se formaram subiram para buscar bebidas.
Dez minutos..Trinta minutos.. nada das bebidas e nem dos casais, resolveram Cristiane e Thiago subir e ver o que acontecia, não foi necessário chegar até o quarto... já no corredor ouvia-se ruídos que vinham da cama que indicavam que não seria conveniente entrar.
Naquele momento Cristiane se sentiu, brava, traída, com sede vontade de ir ao banheiro e com aquele garoto perfeito do lado sem poder usufruir de todos os recursos naturais que ele tinha.. foi então que ela pensou: -Hora de tomar uma segunda atitude!
Pegou o garoto pela mão, saíram correndo pelos corredores até chegar na salinha de Vídeo daquele andar do hotel, ele trancou a porta jogou Cristiane contra ela, e o clima ia cada vez mais esquentando, os sinos tocavam mais alto nos ouvidos de Cristiane à medida que às mãos de Thiago, o belo rapaz exploravam seu corpo, era tudo perfeito, a melhor maneira de sair de uma abstinência de quase um ano!
Foi ai que... alguém bateu na porta e o celular de Cristiane tocou...
Era Marina, com os olhos arregalados e já se dando conta de que havia chegado em má hora.
A porta fechou-se novamente, mas os sinos já não tocavam mais, e Thiago resmungava algumas palavras xingando algo ou alguém, foi então que se pronunciou:
-Isso sempre acontece quando eu bebo...
Cristiane, sem graça, não sabia se chorava perante o azar ou se ria da situação bizarra!
Vestiram-se, juntaram-se aos outros casais e era hora da despedida, trocaram um último beijo, endereços de msn e orkut e as meninas voltaram para o quarto.
No quarto, todas as expectativas estavam voltadas para o relato de Cristiane, que ao mencionar a frase de Thiago desatou um riso descontrolado das amigas.
Domingo, hora de voltar para casa e fazer o balanço do final de semana, Marina bateu na porta da sala de Vídeo apavorada, porque acabou discutindo com o garoto que ficou pelo fato de ele querer ir além do beijo e ela não estar em condições, Cristiane teve as expectativas frustradas basta a um probleminha de concentração, Aline era a responsável pelos ruídos de cama no corredor do quarto de hotel e como eu disse no início, eram quatro amigas então faltou falar da Angélica, que graças a caipira da tarde de sábado não acompanhou absolutamente nada do que aconteceu naquela agitada noite e dormia no mesmo quato de hotel.
Então dessa aventura, todas trouxeram um belo bronzeado, pois o final de semana teve um sol maravilhoso, boas histórias e muitas, mas muitas risadas.
Obs.: Meu agradecimento especial a querida amiga que dividiu comigo esta divertida experiência!
Hiven L. Santos